domingo, 10 de novembro de 2013

lembro-me vagamente de algumas coisas da minha infância, e uma delas, 
era de quando eu tinha uns quatro ou cinco anos de idade, e meu avô
quando visitava minha casa, levava umas caixinhas de leite parmalat, 
eu adorava esse leite, acho que mais por causa da propaganda que 
passava na época, eram umas crianças vestidas como se fossem animais 
de pelúcia, elas bebiam o leite e faziam aquela publicidade fofa que faz 
a gente comprar produtos que nem precisa, enfim. meu avô me pegava 
no colo, deixava eu usar o seu boné, me sentia tão adulto com aquele boné. 
ele imitava umas vozes engraçadas para falar comigo, perguntava se eu estava feliz, 
o que eu tinha feito de bom, se estava tudo bem comigo, e todas essas coisas 
bobas e simples que costumam acontecer entre os avós e seus netos. 
vinte anos após isso, eu cresci, me tornei um adulto, meu avô foi o contrário, 
se tornou criança, sim, cada dia que passa meu avô se torna mais criança, 
daquelas bem puras, sem maldade no coração, bem pequena, mas de 
alma grande. e assim como uma criança, ele não pode mais ficar sozinho, 
é sempre necessário um adulto por perto cuidando dele, ficou vulnerável de saúde. 
sem contar que precisa de ajuda para andar, assim como uma criança precisa de 
rodinhas de apoio para dar suas primeiras pedaladas numa bicicleta ele precisa 
de um ombro amigo para ir da sala para o quarto, do quarto para a cadeira 
no quintal. voltou mesmo a ser criança, até fralda ele usa. fico observando 
ele ali parado, olhando para o horizonte, para o nada, pensando na vida. 
me pergunto, será o que se passa na cabeça de um senhor de setenta anos 
de idade que está voltando a ser criança?

Um comentário:

  1. O que será que passa na cabeça desse homem-criança? Será que ela pensa ou se arrepende?

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